quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

8º CAPÍTULO


DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010


 AS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS TRANSCULTURAIS!

1 – FINALMENTE ESTÁVAMOS NA BOLÍVIA!


No dia 1 de janeiro de 1973 por volta das 22 horas, pisamos em terras bolivianas.O Pastor Ataíde Donato de Aquino era o pastor da cidade de Cobija e foi ele, que tão gentilmente nos recebeu, pois sua esposa e filha haviam viajado para o Brasil.
           
            Passamos alguns dias  nos familiarizando com o idioma, clima etc. Logo, impulsionado pelo grande desejo de conhecer os campos brancos daquele país, na companhia do Pr.Ataide, tomei um velho avião DC-6 cargueiro que passava em direção à Santa Cruz de La Sierra. O avião estava tão carregado que parecia que não conseguiria levantar vôo. Depois de algum tempo, pousou em uma fazenda onde embarcaram tanta carne que quase não havia espaço para nós. Voamos diretamente à Santa Cruz pedindo a Deus que chegássemos rápido, pois aquele avião estalava todo. Parecia que as asas iam cair em pedaços, não havia poltronas e muito menos cinto de segurança. Cada um ia como podia. Como diz o ditado: “Cada um por sí e Deus por todos”. Até que após algum tempo, finalmente, pousamos sãos e salvos e graças ao nosso Pai Celeste, tíinhamos os “pés no chão”. Lamentavelmente, não demorou muito e ouvimos, através da rádio da cidade, a triste notícia de que aquele avião caíra logo após levantar vôo daquele aeroporto, com  perda total.  
       
         Sentimos muito o que aconteceu, mas ao mesmo tempo agradecemos a Deus porque nos livrou daquele acidente.
           
            De Santa Cruz fomos a Vallegrande, uma cidade de uns 30 mil habitantes, sem nenhuma  igreja pentecostal e que está a 2.300 metros acima do nível do mar, sobre as Cordilheiras dos Andes. Quando chegamos ali, pude sentir realmente a necessidade e a fome espiritual daquele povo. Não perdi tempo, fui logo buscar a minha família e nos instalamos naquela pequena cidade. Não sabíamos ainda falar o espanhol, porém levamos de Cobija uma jovem peruana, que muito nos ajudou. Alugamos uma casa e logo, um salão para os cultos. O salão estava no segundo andar de um prédio e dava de frente para uma movimentada rua. Trabalhei durante vários dias pintando, fazendo a mobília e letreiros para a Igreja.
           
            Havia passado um mês e já podíamos nos fazer entender, então marcamos o primeiro culto. Saímos para convidar o povo começando por uma rua próxima ao salão. Em cada casa que entrávamos, éramos muito bem recebidos, eles agradeciam o convite e diziam que realmente fazia falta uma Igreja Evangélica naquela cidade e que agora, com uma igreja tão perto de suas casas, iriam participar das reuniões. Assim acontecia em cada casa. Quando terminou aquele quarteirão, comentei com a minha esposa: “Não adianta ir à outra rua, no nosso local não cabe mais de cem pessoas. Acho que vamos ter que fazer cada noite um culto, para o povo de uma determinada rua”.
           
            Regressamos à casa, impressionados com o interesse do povo e entusiamados com a obra que estávamos para começar naquela noite. O culto deveria iniciar às 19:30 horas, então às 18 hs a minha esposa e eu já estávamos no local de culto, nervosos, com uma grande expectativa. Arrumamos tudo bonitinho para receber o povo. Minha esposa se encarregou da decoração e se saiu  muito bem, dando um toque feminino ao ambiente. Colocamos, na janela, um som 3 em 1 que tínhamos, tocando um belo hino. As 18:30 hs, a Rosinha foi à porta para dar boas vindas às primeiras pessoas, e eu, ansioso, fiquei ao seu lado. As 19h, nada; começávamos a ficar preocupados; 19:20 h, ninguém aparecia e já estávamos preocupados. 19:30h e infelizmente ainda não víamos uma viva alma, já deveríamos ter começado o culto, porém faltava a 1ª pessoa.  Continuamos firmes, em pé, ao lado da porta, procurando desculpas para os nossos visitantes com o intuito de acalmar-nos. De repente, às 20:30h, veio um vento tão forte que jogou no chão o aparelho que estava na janela, espatifando-o todo.

Que choque, que decepção para quem estava dando os primeiros passos no campo missionário. Sinceramente, não sei  qual foi a nossa nota  naquela prova; ficamos decepcionados, mas aprendemos a conhecer a realidade do povo boliviano. Eles não sabem dizer não.
           
            No dia seguinte, continuamos o nosso trabalho. Agora,  conhecendo melhor o povo, Deus nos deu uma visão de como alcançá-los. Louvamos ao Senhor por termos passado ali um ano e batizado mais de cinquenta pessoas, e por termos deixado iniciada a construção de um templo. Por motivo de saúde de minha esposa e por conselho médico, tivemos que deixar Vallegrande devido a altitude e transladar-nos à região amazônica boliviana. O pastor boliviano Dário Sanchez nos substituiu naquela cidade.

Primeiro salão de culto em Vallegrande funcionando no piso superior, em uma das janelas estava o aparelho de som 3x1 que em um determinado momento caiu ficando dezenas de pedaços! 
2 – ISCAS DIFERENTES
           
            Entre tantos outros milagres que aconteceram em Vallegrande, quero mencionar, para a glória de Deus, o que ocorreu em um povoado a uns 15 kms da  cidade.
           
            Naquele lugar não se permitia fazer culto evangélico. Um pastor batista já havia tentado, sem êxito. Certo dia, recebemos a orientação de Deus e fomos em direção àquele lugar levando conosco um saco de bombons. Chegando ao povoado, parei a moto em baixo de uma árvore e fiz de conta que estava concertando-a. Não demorou muito e já estávamos rodeados de crianças que curiosamente olhavam o que estava acontecendo. No momento oportuno, minha esposa começou a distribuir bombons. Logo, funcionei a moto e regressamos à casa.     No outro sábado, na hora certa, com mais bombons e bolachinhas, partimos para aquele povoado. Ao chegarmos, paramos embaixo da mesma árvore. Aquelas crianças e mais outras, vieram correndo perguntar: “Trouxe bombons?”. Enquanto Rosinha fazia a distribuição dos doces, pudemos observar uma senhora que estava em uma humilde casa bem próxima a nós. Ela deu um sorriso aberto permitindo a aproximação de minha esposa. Ao oferecer-lhe, a senhora aceitou de bom grado. Eu também me aproximei dela e iniciamos uma conversa. Disse-lhe que minha esposa era professora, trabalhava com crianças em suas horas livres ensinando-lhes boas naneiras e ensinando-lhes a amar a Deus, a seus pais e a serem úteis à pátria e à sociedade. Logo depois estávamos rodeados por vários outros vizinhos daquela senhora, que movidos pela curiosidade estavam ali. Juntos, marcamos uma grande reunião para o sábado seguinte, naquele lugar, com todas as crianças da comunidade.

Aquelas senhoras se encarregaram de convidar e preparar o local para a reunião. No sábado posterior estávamos novamente lá. Fizemos um lindo trabalho sem dizer que éramos evangélicos; as crianças estavam cantando corinhos apropriados; felizes, ouviam as histórias bíblicas e os conselhos ministrados. No final, minha esposa disse:  -“Meu esposo também é professor, sua especialidade é ministrar aos casais”; fez um ligeiro comentário das grandes crises na qual vivem hoje as famílias. Eles se entreolharam e logo disseram: -“Senhora, nós precisamos deste tipo de ajuda”. No outro sábado estávamos naquele mesmo lugar, com a diferença de que agora não estávamos sós, mas com toda a comunidade reunida. Cantamos, ministramos e por fim convocamos o povo para um encontro com Deus através de Cristo; foi uma decisão em massa. A dona da Igreja onde estava a padroeira do lugar foi uma das primeiras a aceitar a Jesus. Aquela Igreja Católica foi transformada em uma congregação. Louvado seja o nome de Jesus!

PRIMEIRO BATISMO QUE REALIZAMOS EM VALLEGRANDE COM A PRESENÇA DO SAUDOSO MISSIONÁRIO BRASILEIRO RAIMUNDO VENÂNCIO E SUA ACORDEÓN, QUE SERVIA AO SENHOR COMO MISSIONÁRIO NA CIDADE DE  ROBORÉ.

SEGUNDO BATISMO EM VALLEGRANDE, DESTA FEITA COM A PRESENÇA DE OUTRO COLEGAS PASTORES: JOEL FONSÊCA, (SANTA CRUZ DE LA SIERRA) ANTONIO TEIXEIRA (MONTEIRO) E SANDOVAL (COCHABAMBA). A TEMPERATURA ESTAVA MUITO BAIXA, HAVIA UMA PEQUENA CAPA DE GELO EM CIMA DA ÁGUA E O PIOR QUE EU TINHA QUE SER O PRIMEIRO A ENTRA NA ÁGUA, POIS EU ÉRA O OFICIALIZANTE DO BATISMO.

GRUPO DE IRMÃOS DE VALLEGRANDE TRABALHANDO EM MUTIRÃO FAZENDO ADOBE PARA A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO EM OIADA, BAIRRO LIGADO A VALLEGRANDE.

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