quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

14º CAPÍTULO


QUINTA-FEIRA, 16 DE DEZEMBRO DE 2010



O PLANO TRÊS MIL - (LUGAR PARA OS SOBREVIVENTES)

           Os sobreviventes daquela catástrofe foram conduzidos às escolas, universidades etc. Santa Cruz foi decretada como estado de emergência. A Cruz Vermelha Internacional e outros órgãos se mobilizaram em ajuda àquele povo.

O governo iniciou um projeto chamado “Plan Tres Mil”. Era a abertura de um novo lugar para habitar as, três mil famílias prejudicadas. Feita uma nova contagem verificou-se que o número era bem maior. Dentro de poucos dias as ruas e avenidas estavam abertas, a Cruz Vermelha e o Exército instalaram milhares de pequenas tendas para aquelas famílias, outros tiveram que improvisar pequenas casas de plásticos, de lata, de papelão enfim, cada um se acomodou como podia. Nós acompanhamos o povo, os cultos agora eram mais concorridos, cada dia pessoas se convertiam a Cristo.

O frio estava forte, era difícil realizarmos os cultos à noite, nas tendas não se podia entrar devido ao pequeno espaço. Em uma noite de intenso frio ao ar livre, desafiamos o povo para orar, a fim de que o Senhor nos desse condições de ter um “teto” para congregarmos, dentro de poucos dias.
ASSIM ERA OS BARRACOS DOS SOBREVIVENTES

ÉPOCA DE UM FRIO INTENSO

1– CP6- EU -  É MEU PREFIXO NO RADIOAMADORISMO
BOLIVIANO. NO BRASIL, PY8-BCW
MINHA ESTAÇÃO DE RÁDIO

             Para mim, o rádio amadorismo não foi apenas um “hobby”, mas um instrumento de bênçãos para o meu ministério na Bolívia. Foi através do rádio, que conheci Omar Aburder, o homem que comprou a casa para morarmos em Santa Cruz de La Sierra. Através do rádio ajudamos muitas famílias, colaboramos com as autoridades em acidentes aéreos, terrestres, ferroviários, etc. Ajudamos a salvar vidas com remédios encontrados somente no exterior. Através do rádio, também, fizemos amizades com missionários de diferentes países.
           
            Depois de um abençoado culto em uma noite fria, ao chegarmos em casa, liguei o meu rádio e, na frequência, encontrei um missionário sueco, Boris Green, que era o vice-consul da Suécia  na Bolívia e trabalhava em Cochabamba. Depois de algum tempo comentando a situação da obra de Deus no “Plan Tres Mil”, ele me falou da possibilidade de recebermos uma tenda para umas 300 pessoas. Dentro de 30 dias chegava um caminhão com aquela abençoada tenda e dinheiro para comprarmos a madeira para fazermos uma bancada.

IGLESIA ASSAMBLEA DE DIOS BOLIVIANA

A TENDA TINHA TRES MASTROS, COM A CAPACIDADE PARA 300 PESSOAS SENTADAS
UM DOS NOSSOS CULTOS NA TENDA!
2– QUERIAM BOTAR FOGO NA NOSSA TENDA

            O Comitê de Defesa Cilvil, nos cedeu uma área de 2.800 m. para instalar a Igreja. No dia da inauguração a tenda estava superlotada, talvez do lado de fora, houvesse mais gente. O pregador oficial foi o pastor Geremias Cordovil, também procedente da nossa Igreja no Brasil.

De repente ouvimos um grande movimento em um barraco que estava em frente da nossa Tenda (Igreja), em cujo lugar era velado o corpo de uma criança; que salva das águas, morrera da epidemia de gastro interite. O barraco estava sendo destruído pelas chamas de um incéndio, algumas pessoas foram gravemente queimadas, o gemido de dor era grande. O cadáver da criança ficou totalmente carbonizado.

Um irmão ali presente teve que prestar socorro conduzindo três pessoas gravemente feridas para o hospital. Durante o trajeto, eles pediam perdão a Deus, pois estavam planejando botar fogo na nossa tenda. Enquanto planejavam, decidiram abrir uma lata de álcool (de 18 litros), ao furarem a lata para beber (pois eles bebem na própria lata), espirrou álcool em direção à lamparina e provocou o fatal incêndio.

Conclusão, uma daquelas pessoas morreu no hospital e as outras, depois de curadas, entregaram-se a Cristo e testemunhavam mostrando as marcas da incredulidade e a grandeza do amor de Cristo. Jesus é misericordioso!

3- ESTE NOSSO DEUS!!!

Certo dia, eu estava na tenda fazendo algum trabalho, quando chegou um grupo de pessoas do Comitê de defesa Civil exigindo que prestássemos algum trabalho social. Diziam: “Tantas instituições têm ajudado estes sobreviventes com alimentos, roupas, remédios etc A única coisa que vocês fazem é cantar e gritar, isso não resolve os problemas deste povo. Se os senhores, dentro de 60 dias, não apresentarem umprojeto eficiente de assistência social, obrigatoriamente terão que devolver-nos este terreno e nós lhes daremos um lote de 10x30m”.

Quando eles terminaram de falar eu lhes disse algo que, no momento, veio ao meu coração: “Já estamos elaborando o nosso programa social e certamente será de grande ajuda para este povo”. Quando cheguei em casa, chamei a minha esposa, contei a ela o que acontecera e juntos oramos ao Senhor. Sabia que não podia compartilhar isto com nossa Igreja no Brasil, naquela época. Obra social? Era quase um pecado. Continuamos orando e depois de 15 dias fomos procurados por dois missionários que até então não nos conheciam, eles estavam vindo da Suécia e traziam uma oferta de uma Igreja naquele país.

Veja o que aconteceu: uma missionária que trabalhava na Bolívia e estava de férias em seu país, viu na televisão a notícia da tragédia em Santa Cruz. Ela não me conhecia, porém sabia que um pastor brasileiro trabalhava com aquele povo. Ela compartilhou com sua Igreja, a qual nos enviou 1.200 dólares, para usarmos em favor dos sobreviventes.

Agora, o grande problema era como administar aquele dinheiro. Tudo o que eu queria comprar não dava para todos, se quisesse comprar cobertores, não dariam para todos. Se quisesse comprar panelas, igualmente não daria. Resolvi orar com minha esposa pedindo orientação de Deus para utilizar  aquele dinheiro da melhor maneira possível. Enquanto orávamos, Deus “gritou” ao meu coração:

-“Construa uma clínica, construa uma clínica”. Senti aquela voz tão forte que perguntei à minha esposa se também havia escutado aquela ordem. Já estava convicto da vontade de Deus e sabia que essa clínica vinha em boa hora, visto que havia grandes epidemias que estavam ocasionando a morte de muitas crianças. Por isso, no dia seguinte, bem cedo fui ao terreno para tirar as medidas e as dimensões da futura clínica e com  alguns irmãos que acreditaram nos meus sentimentos começamos as escavações para o alicerce.

O dinheiro foi suficiente para comprarmos apenas o material do alicerce. No dia em que acabamos a primeira etapa, também acabou o dinheiro e o inimigo, astuto, aproveitou para “cochichar” ao meu ouvido: “E agora, o que é que tu vais fazer?” Deus já tinha a resposta para o adversário. Antes de findar o dia, chegou um grupo de turistas dos países nórdicos. Eles tinham ido ver o lugar da catástrofe e agora estavam ali para visitar os sobreviventes. Foram atraídos pela tenda colorida e vieram saber o que fazíamos naquele local. Ao verem a construção, perguntaram o que pretendíamos construir. Dissemos que era uma clínica. Eles nos parabenizaram e logo perguntaram se era a nossa Igreja no Brasil que estava financiando aquela construção. Contei toda a história para eles, alguns deles falavam o espanhol e uns dois ou três eram crentes. Fotografaram, filmaram, fizeram anotações em um caderninho e se despediram. Chegando aos seus países de origem: Suécia, Noruega e Finlândia, divulgaram nos jornais evangélicos e seculares o que haviam visto. Depois, criaram um caixa central e reuniram fundos para continuarmos aquela obra. Glória a Deus!
            Dentro de poucos dias recebi um comunicado da “Misión Sueca Livre en Bolívia” ,dizendo que, através dela, estaria chegando os recursos para a conclusão do nosso projeto.
4- GRANDE ADMIRAÇÃO PARA O POVO!

Com a ajuda que recebemos, a primeira providência foi perfurar um poço de 170 m de profundidade e construir uma caixa elevada para 5.000 litros de água. Puxamos uma extensão de 1.500 m de rede elétrica, transformador, bombas para dar água pela manhã e à tarde a milhares de pessoas. Em cinco meses, foram construídos; a “Clínica Evangélica El buen                            Samaritano”, depósitos, farmácia, casa para o vigia, o templo (um dos maiores da Bolívia naquela época) e o muro em volta da Igreja e Clinica, em uma extensão de 2.800mts².

Todo o equipamento para a clínica veio da Suécia. Mensalmente, recebíamos containers com roupas e medicamentos para distribuirmos para aquele povo. A missão Sueca pagava dois médicos e vários enfermeiros. Duas missionárias enfermeiras e parteiras vieram para trabalhar conosco. Através daquelas irmãs, a clínica foi beneficiada com uma camionete Toyota, que funcionava como ambulância. Um grande número de pessoas eram atendidas diariamente naquela clínica dada por Deus.
CLINICA EVANGÉLICA "EL BUEN SAMARITANO"


CORPO DE PROFISSIONÁIS: DOIS MÉDICOS, UMA ENFERMEIRA CHEFE, E TRÊS AUXILIARES

MÉDICO PEDIATRA E A ENFERMEIRA CHEFE
O POVO DE DEUS "EN EL PLAN TRÊS MIL" AO LADO DO TEMPLO

CONVENÇÃO DE PASTORES DA ASSEMBLÉIA DE DEUS BOLIVIANA REALIZADA NA NOSSA IGREJA NO PLANO TRES MIL

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