quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

1º CAPÍTULO




QUINTA-FEIRA, 18 DE NOVEMBRO DE 2010

1- ORIGEM, INFÂNCIA E SALVAÇÃO

“ No pequeno povoado chamado Arraial do Carmo, município de Inhangapi-Pa, no ano de 1942, os jovens Marcionilo Nascimento Cunha e Bonifácia de Oliveira Cunha se conheceram, namoraram e casaram. Ambos de família humilde e bem pobres materialmente. Os recém casados, movidos por estas circunstâncias, tiveram que fazer sua pequena casa aproveitando uma enorme árvore que havia caído bem perto da casa dos pais da moça. A árvore era um piquiazeiro que tinha 2.40m. de espessura. O jovem Marcionilo, muito inteligente, aproveitou para usá-la como parede e comieira, depois baixou a cobertura feita de cavacos e cercou com folhas de palmeiras. Foi nessa humilde casa, bem junto do tronco daquele enorme piquiazeiro, que às 14 horas do dia dois de fevereiro de 1945 nasceu o personagem central desta história.” (Pesquisa feita pela esposa: Missionária Rosa Maria)
Realmente nasci no ano de 1945, no município de Inhangapi (a 17 kms de Castanhal), na época município de Castanhal-Pará. Meus pais, filhos daquele lugar, eram católicos praticantes. Minha mãe, seguindo os costumes familiares  praticava o espiritismo:  incorporava, fazia sessões, adivinhações através de um copo d’água, etc. Quando eu tinha 14 anos de idade nos mudamos para a cidade de Castanhal onde comecei a trabalhar. Em 1960, toda a família, composta de 13 pessoas (sendo 11 filhos), imigrou para Belém , Capital do Estado, em busca de trabalho, de estudos, etc. Lá construímos uma casa na rua João de Deus, nº 167 que ficava à 50 m da casa de uma família crente. A vovó daquela casa, uma anciã de 80 anos, todos os dias batia à nossa porta para falar de Jesus. Porém quando minha mãe via que ela se aproximava se escondia e nós, como obedientes filhos, tínhamos que mentir dizendo que ela não estava em casa. Não demorava muito, alí estava novamente aquela anciã para saber se ela já havia chegado e assim nos deixava sem saída. Durante dois anos a querida e saudosa irmã Joaquina, diariamente e incansavelmente, vinha ao nosso lar para nos apresentar o amigo Jesus!

        2- O DIABO TENTOU VÁRIAS VEZES DESTRUIR A
                     MINHA VIDA DURANTE A INFÂNCIA!

     Claro que ele não sabia, mas certamente desconfiava que Deus tinha um plano, um   propósito para a minha vida e por  esta razão lutou tanto para destruir-me.
    
A - Salvo do afogamento. Quando tinha apenas 4 anos de idade morávamos em Bujaru, uma pequena cidade às margens do rio Guamá. Nossa casa era afastada uns quinhentos metros dos outros vizinhos. Meu pai gerenciava uma fábrica de cerâmicas e por esse motivo ficava uma boa parte do tempo fora. Certa vez minha mãe, minha irmã e eu, estávamos com muita febre já havia três dias e somente o meu pai estava com saúde. Então quando ele chegava providenciava o alimento para nós. No terceiro dia eu amanheci um pouco melhor e, como toda criança, não consegui ficar deitado. Levantei da minha rede e saí devagarinho para não despertar a minha mãe.Como bom aventureiro e curioso, fui brincar perto dopoço d’água que ainda não tinha tampa. Pouco depois minha mãe despertou, procurou por mim e quando viu que não estava na rede, lembrou do  poço e saiu correndo ainda com  febre altíssima. Ao chegar ao local, olhou para dentro do poço com muito temor e me viu flutuando como morto. No seu desespero, lançou-se abaixo. O poço tinha 3 metros de profundidade, 1.40m de água e conseqüentemente, restava 1.60m para cima. Sua primeira iniciativa após atirar-se foi gritar, porém ninguém a ouviu. Logo começou um sobrenatural esforço no sentido de subir conduzindo o filho que ja estava morto. Ela fez buracos nas paredes de um lado e outro conseguindo colocar os pés e escalar até que finalmente pôde jogar-me para fora. Depois subiu e gritou por ajuda. Começaram a chegar pessoas e uma delas colocou-me de cabeça para baixo na esperança de salvar-me. Conta a minha mãe que espeli uma grande quantidade de água. Depois fizeram a respiração artificial e Deus, na sua infinita misericórdia, me trouxe de volta à vida.

B – A fogueira de São Pedro. Chegou a festa junina. Como de costume meu pai, com madeira de tronco de mangueira, fez uma grande fogueira na noite de São Pedro. Aquela fogueira era festa para os meus olhos. Por isso acordei bem cedo e fui olhar o lugar da fogueira. Vi aquele monte de cinza branca, me aproximei, toquei na cinza e vi que estava fria. Pensei que não havia mais fogo. Então, descalço, entrei para o centro da fogueira onde o monte de cinza era maior e não me dei conta de que estava entrando no meio de brasas vivas. Não tive iniciativa de sair. Me abaixei e comecei a gritar. Quando alguém me ouviu e veio socorrer-me, os meus pés estavam totalmente deformados (ainda hoje tenho as marcas nas palmas dos pés e defeitos nos dedos). Voltei a engatinhar durante um ano, depois comecei a andar, porém sem firmeza. Qualquer obstáculo era motivo para uma queda. Foi um processo de quase dois anos para poder me recuperar normalmente.

C - Escapando da Sucuri. Certo dia minha mãe e um grupo de amigas foram tomar banho no rio e decidiram me levar. Chegando lá me recomendou ficar perto da margem juntamente com as outras crianças. Logo depois começaram a nadar, conversar e se distrairam um pouco. Quando a minha mãe se lembrou e me procurou, percebeu que eu estava ficando longe das demais crianças e então me chamou. Como eu não respondia, nadou rapidamente para me alcançar. Ao se aproximar, viu que eu estava envolto por algo muito grande, mas não entendia o que via. Aproximou-se ainda mais e logo pôde ver com clareza a grande sucuri que àquela altura já me sufocava sem que eu pudesse reagir. Minha mãe, num gesto desesperado por não saber como salvar-me, deu um grito tão forte e doloroso que aquela grande sucuri desenrolou-se e num instante desapareceu. O Senhor ouviu o grito desesperado daquela pobre mulher que tentava salvar não somente o seu próprio filho, mas um escolhido de Deus. Louvado seja o Seu nome!

3- MEU ENCONTRO COM JESUS

No ano de 1964, ainda em Belém-Pa, tive o grande privilégio de conhecer e entregar a minha vida  a Jesus.
Em uma bela noite de sábado, saí de casa para ir a uma festa de aniversário. Naquela época, fumava até 3 carteiras de cigarros ao dia, bebia e fazia tudo aquilo que um homem sem o temor de Deus faz. No trajeto que fiz para chegar à festa passei pela Av. Bernardo Sayão. Ao fazê-lo, observei que na casa do sr. Severino, um conhecido, havia uma reunião de “protestantes”,  o tipo de reunião que não me interessava, a não ser o fato de saber da existência de belas jovens ali,diferentes daquelas que conhecia. Parei em frente somente para admirá-las; o assunto que se estava tratando com tanto empenho não tinha o menor interesse para mim. Como ainda estava cedo para chegar na festa, tinha tempo para continuar com a minha curiosidade. Começaram a cantar lindos cânticos de louvor e a harmonia daquelas vozes transmitiam felicidade e exaltação.       
Diácono Clemente de Oliveira
O pregador do dia (Diácono Clemente), falava sobre Atos 16.30,31: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo tu e a tua casa”; aquela pequena frase e aquele louvor começaram a fazer eco no meu coração. De repente esqueci o motivo pelo qual estava ali. Percebi que aquele “engravatado” estava falando comigo, mas não entendia como ele podia saber tudo sobre mim se nem ao menos me conhecia. Não podia entender nem explicar porque me sentia assim. O que estava acontecendo comigo? Então rapidamente me veio a certeza que algo devia fazer, porém eu não sabia o quê. Logo uma daquelas moças se aproximou de mim e com uma voz muito amável e terna disse-me: “Jovem, Jesus te ama e quer te salvar. Venha comigo e entregue a sua vida a Ele”. No momento fiquei paralisado.

Depois, por alguns instantes, tratei de questionar com aquela moça o quão indigno era diante de Deus, mas para cada questionamento ou desculpa minha, ela tinha uma resposta apropriada e a base da Bíblia que me deixavam sem palavras. Não sei explicar como tudo aconteceu. Só sei que eu dizia não, porém Jesus diziaSIM! De repente não estava mais na rua em frente  à casa, mas de joelhos aos pés do Senhor Jesus. Foi o dia mais feliz da minha vida, confesso que não queria que aquela reunião acabasse.

     Depois daquela abençoada reunião voltei para casa.Minha mãe ficou surpresa e perguntou: “ Mas você em casa a esta hora? O que aconteceu?” Então quase sem aguentar tanta alegria que sentia no coração, contei que havia tomado uma grande decisão: havia entregado a minha vida a Jesus e Ele passou a viver dentro de mim. Nesse mesmo momento, com uma profunda raiva por se sentir traída e por tê-la ofendido com minha decisão, minha querida mamãe disse: “Prefiro ter um filho morto do que crente”... Foi um choque para mim, mas enquanto a minha mãe falava aquelas palavras dolorosas, eu ouvia aquela frase ainda mais forte ecoar dentro do meu coração como um bálsamo: “Tu e a tua Casa… a tua casa…a tua casa…”. Comecei a questionar com meu Deus sobre aquela frase… Senhor, mas quando isto vai acontecer? Quando?

4- A CONVERSÃO DE MINHA FAMILIA

Minha irmã, Regina Célia (terceira de uma escala de 11 filhos), aceitou a Jesus sendo ainda servente de minha mãe nas sessões espíritas, o que tornava tudo mais difícil. Era um dia de culto. Minha irmã queria ir à Igreja mas não podia deixar a minha mãe “na mão”, principalmente num “trabalho” de espiritismo com mais de 20 pessoas presentes em busca de alguma ajuda em seu favor. Para não contrariar a minha mãe ela decidiu ficar, porém em oração. Eu fui ao culto e com muita fé pedi à Igreja que orasse pela libertação de minha mãe. Sabe o que aconteceu? Quando cheguei em casa ela estava chorando no quarto e o meu pai muito preocupado disse-me: “Alguma coisa  errada está ocorrendo. Hoje muitas pessoas vieram de longe para receber passe e outros trabalhos.  Os espíritos não “baixaram”, tua mãe não incorporou e passamos uma grande vergonha. Não consigo entender o que aconteceu!” Eu porém louvei a Deus porque sabia que era obra Sua!.

 A obra de libertação daqueles demônios estava consumada. Mas  para minha mãe ir à Igreja ainda havia “caminho” para percorrer. Foi necessário que surgisse um tumor maligno na sua cabeça e ela passasse algumas noites sem dormir, com muita dor e sofrimento. O dia da cirurgia foi marcado com o consentimento da família pois os médicos iam fazer uma aventura. Segundo eles o estado era muito grave; se não operasse, o tumor poderia arrebentar a qualquer momento e seria morte certa. A própria operação não seria fácil e a probabilidade de sair com vida era de apenas 1%. Naqueles momentos de espera e expectativa, aquela mensagem ainda martelava nos meus ouvidos e no meu coração: “Tu e a tua casa”. Me decidí, cheguei diante de minha mãe e disse-lhe: “Isto que está acontecendo é obra do maligno, Jesus te libertou das garras do inimigo e ele está furioso. Se você entregar a tua vida a Jesus hoje, amanhã não haverá mais necessidade de cirurgia porque Jesus vai te curar.”A minha mãe respondeu: “Se este teu Jesus me curar serei uma crente para o resto da minha vida”. Saí correndo para chamar o presbítero José Oscar Skeete. Eram 19horas quando começamos a orar. De repente a minha mãe adormeceu.                          
Acordou somente às 7 horas da manhã do dia seguinte, quando o meu pai a despertou para ir ao hospital internar-se. Então ela disse:      “Já não preciso mais de cirurgia. O Jesus dos crentes me curou! Aleluia!”.
            Fomos ao hospital na companhia do Presbítero José Oscar Skeete, quando o médico avistou a minha mãe disse: A senhora pode morrer a qualquer momento deveria ter chegado na hora certa para ser internada, minha mãe lhe respondeu: “O Jesus dos crentes me curou”. Pedimos ao médico que submetesse a um novo exame, o médico ficou surpreso com o resultado, não conformado a levou para outro laboratório, porém o milagre de Deus  estava confirmado, minha mãe estava completamente curada, o tomor malígno já havia desaparecido!.
Meu pai foi um daqueles pobres coitados que contribuíram muito para o enriquecimento das grandes indústrias de cervejas. Tinha sempre uma ou duas amantes. Contudo, vendo o milagre que Deus fizera na vida de minha mãe, se rendeu a Cristo e assim toda a família. Tudo isso aconteceu no prazo de 60 dias, para honra e glória do Senhor.
“Tu e a tua casa”. Cumpriu-se literalmente a palavra do Senhor!  Jesus disse: “Passarão os céus e a terra porém as minhas palavras jamais passarão” (Mt. 24.35). Aleluia

Nenhum comentário:

Postar um comentário