quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

7º CAPÍTULO




QUINTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2010

"EIS-ME AQUI SENHOR, ENVIA-ME A MIM"


1- Visão Missionária  - MISSÃO TRANSCULTURAL
Estávamos há dois anos no Piauí quando houve um culto especial, em Teresina, com a participação de vários pastores presidentes de outros estados para receber mais 20 evangelistas com suas respectivas famílias que acabavam de chegar, procedentes de Belém do Pará, formando assim um grupo de 30 famílias de uma mesma Igreja para cooperar com a evangelização daquele Estado.

Naquele culto festivo, cada pastor visitante teve a oportunidade de expressar os seus sentimentos diante daquele quadro inédito na nossa história “assembleiana”. O pastor Firmino Gouveia, aquele que presidia a Igreja que enviara os 30 evangelistas, foi o pregador oficial. No seu discurso introdutório, muito empolgado com aquela cena, disse:
-“ Se Deus continuar a falar ao meu coração sobre o Piauí como tem falado, estou disposto a vender todo o material que acumulamos para a construção do novo Templo Central em Belém e mandar mais 15 evangelistas para cobrir as outras cidades deste Estado onde ainda não existe uma Assembléia de Deus!” O auditório vibrou, todos glorificavam a Deus, todos aplaudiam aquela visão! Em meio àquele movimento de alegria e glorificação, quando todas as atenções se dirigiam para aquele “pequeno pedaço de terra” (o Estado do Piauí), Deus me deu uma visão inédita na minha vida. Contemplei uma multidão incontável; povos de diferentes tribos, raças, culturas e idiomas, que com as mãos levantadas pediam ajuda. A visão foi tão forte que eu não resisti em pé; caí ali mesmo, no púlpito, entre dezenas de pastores presentes. O pastorAlcebíades Pereira Vasconcelos (saudosa memória), me ajudou a levantar e me conduziu ao gabinete pastoral. Eu não lhe disse o que tinha visto, porém o Espírito Santo lhe revelou; foi quando sabiamente, usado por Deus, disse: “Se eu fosse jovem como você, diria agora para Jesus: Eis-me aqui, envia-me a mim!”  Então, tive a graça para dizer estas palavras: “Senhor, eis-me aqui, envia-me a mim!”

No dia seguinte, tomamos o nosso Jeep da Wills e viajamos os 600 kms que separam Teresina de São Raimundo Nonato. Diante dos meus olhos tudo estava diferente: a paisagem, a topografia. Aquela paixão que eu sentia, a ponto de dizer muitas vezes que queria dar toda a minha vida em favor da salvação dos nordestinos piauienses, havia mudado. Agora era diferente para mim, porém não comentei com ninguém a visão que Deus tinha me dado. Dizia para minha esposa: “E agora, que faremos?” A resposta não demorou muito. Com pouco mais de 30 dias, chegou uma carta do pastor Firmino dizendo-me: “Deus não me deixou mais em paz desde o último culto em que estivemos juntos em Teresina. Ele me ordena enviar-vos como missionários à Bolivia. Quero uma resposta urgente”.

Dentro de dois meses deixávamos o Piauí, rumo ao nosso “Quartel General”, Belém. E em alguns dias, no cáis do Porto de Belém, nos despedíamos dos nossos familiares, amigos, pastores e tantos outros irmãos que ali estavam para desejar-nos uma boa viagem e para oferecer-nos ajuda em oração. As 17:00h do dia 22 de dezembro de 1972, tomamos o Navio da Enasa (Lobo Dalmada) e viajamos durante 5 dias até a cidade de Manaus. Minha família (composta de 3 pessoas: minha esposa,  meu filho Kleber e eu), passou o Natal a bordo do navio e foi um dos mais inesquecíveis da minha vida, pois  seguíamos para aquele país que Deus nos tinha designado para continuarmos a fazer a Sua obra. Havia paz, gozo e expectativa, porque nada é melhor do que estar no centro da Sua vontade.
Abordo do Lobo Dalmada, durante 5 dias e cinco noites navegando nas águas do rio Amazonas. Minha esposa, Klebinho com 4 meses de idade e eu rumo ao campo missionário boliviano o qual durou 17 anos.
2 - DEUS USA A QUEM ELE QUER
           
         De Manaus tomamos um avião para Porto Velho onde um fato interessante ocorreu no aeroporto. A nossa bagagem tinha um excesso muito grande que em Belém, pela amizade de alguns irmãos, foi liberada. Porém, em Manaus, tivemos que tomar um avião e a coisa complicou, se  eu pagasse todo o excesso, ficaríamos com pouquíssimo dinheiro para a nossa chegada naquele país até então desconhecido. Falei com a moça da Vasp: “Olhe, eu sou um pastor, estou indo como missionário à Bolívia  você não pode liberar este excesso, por favor? Ela respondeu: -“Tanto faz, pastor ou padre, todos pagam a mesma coisa”. Um senhor que ali estava ouviu e disse: “Pode deixar comigo, eu pago todo o excesso deste cidadão”. Tentei, em vão, persuadir aquele senhor, porem ele insistiu em pagar tudo. Foi Deus quem o usou para ajudar-nos.
           
            Tivemos grandes lutas viajando de ônibus, de Porto Velho a Rio Branco. A estrada era muito precária, os ônibus necessitavam de tração nas 4 rodas para vencer com grande dificuldade aquele terrível trecho sem asfalto e com grandes atoleiros. Porém, o coração disparava cada vez mais na esperança de finalmente pisar em terras bolivianas.
3 - DEPOIS DE 29 ANOS!

            No mês de agosto de 1999, depois de retornarmos da Itália, minha esposa e eu, fizemos uma viagem de carro ao Pará. Quando voltávamos a Brasília, viemos pelo Piauí para rever as Igréjas que fundamos em 1970. Foi muito gratificante para nós rever o nosso querido pastor, Paulo Belisário de Carvalho, mesmo que jubilado. Não obstante o seu estado de saúde um tanto abalado, continua com a alegria de sempre. 
           
Agradecemos a Deus o privilégio de rever vários colegas, pastores que batalham há muitos anos naquele querido Estado.
           
            Em São Raimundo Nonato, uma das Igrejas que fundamos, fomos recebidos com muito carinho pelo atual pastor. Ficamos maravilhados com o progresso da Obra de Deus naquela cidade (já se pode tomar banho no chuveiro, já existe água potável). A Igreja possui até uma emissora de rádio. Ficamos contentes em saber que um dos nossos filhos na fé, daquela cidade, foi chamado por Deus para o ministério e já pastoreia por muitos anos.
        
Algo que o irmão Cícero me fez lembrar: O irmão Cícero, é um querido diácono da Igreja em São Raimundo Nonato. Ele me fez lembrar de uma certa vez que saímos para fazer um culto em uma localidade chamada, naquela época, Pelado, hoje, Novo Horizonte.

Veja o que aconteceu:
O senhor Joaquim Orácio, que era o “chefão” naquele lugar, não permitiu que instalássemos o aparelho de som para fazer o culto, ele disse: “aqui você não faz este negócio, neste lugar quem manda sou eu”. Tratei de questionar com aquele cidadão e justificar a importância da palavra de Deus, porém não houve acordo. O homem era bravo e muito ignorante. Retirei o carro de dentro do lugarejo, e coloquei na estrada. Direcionei os alto-falantes ao povoado e começamos a louvar a Deus e pregar a mensagem de Cristo.

O homem, que era um cangaceiro, ja tinha assassinado  várias pessoas, agarrou o seu rifle e disse que ia fazer calar aquele pastor. Pela misericórdia de Deus, naquele exato momento, chegaram de viagem dois filhos daquele homem e quando viram o “sururú”, agarraram o pai e o prenderam em um quarto. Aquele homem era muito temido na região. Por várias vezes, trocou tiros com a Polícia, mas graças a Deus, ele foi dominado pelos filhos.
                        Hoje, um dos seus filhos é crente e pastor de uma Igreja Pentecostal, em São Raimundo Nonato. Segundo o seu testemunho, desde aquele dia o seu pai adoeceu e em poucos dias morreu, porém  toda a sua família aceitou a Cristo, Glórias a Deus!
            Em Monte Alegre nos encontramos com o “Santora”. “O homem que nos tinha dado o cavalo e depois trocou com o burro bravo.”
Este cidadão, hoje está morando em Gilbués. Visitamos a sua casa e perguntei pelo cavalo que me havia tomado. Ele me disse: “Pastor, eu vou lhe contar porque troquei o cavalo pelo burro. O candidato à prefeitura do partido oposto, lhe procurou e você orou por ele. Fiquei chateado e disse para a minha turma do partido: vou tomar o cavalo esquipador que dei a este pastor e vou colocar em suas mãos, um burro bravo para lhe dar umas quantas quedas. Porém, logo vimos que você era realmente um servo de Deus e ninguém poderia tocá-lo.” 

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