quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

15º CAPÍTULO




SÁBADO, 1 DE JANEIRO DE 2011

CONVITE PARA VISITARMOS OS PAISES ESCANDINAVOS


SUÉCIA, NORUEGA E FINLÂNDIA

     Na inauguração da Clínica estavam presentes muitos missionários de toda a Bolívia, inclusive o Cônsul da Suécia em Lima-Peru. Depois das apresentações, demos um relatório detalhado daquela obra. Eles ficaram impressionados pelo muito que construímos com pouco dinheiro (para eles).

Quando o vice-cônsul, missionário Boris Green usou da palavra, fez um convite, em nome da Missão Sueca Livre na Bolívia, para que minha esposa e eu, visitássemos os países escandinavos a fim de testemunharmos o que Deus estava fazendo na Bolívia. Era uma viagem segundo eles, de motivação missionária, aceitamos o convite. Com três meses de antecipação, eles fizeram uma programação, para permanecermos por quatro meses, visitando e pregando em 96 Igrejas na Suécia, Noruega e Finlândia. Também para participarmos e ministrarmos em  três grandes Conferências Missionárias, na Igreja Filadélfia, em Stocolmo, com 1.600 missionários e responsáveis por obras missionárias. Em uma outra cidade, ao norte, de nome Tranos, ministramos a uns 500 participantes. A outra Conferência, foi em Mikkely, uma cidade no norte da Finlândia, onde havia uns 800 participantes. Em todas estas conferências, estávamos agendados para falar sobre o tema: Motivação missionária. O Senhor esteve conosco de uma maneira maravilhosa, fomos abençoados e abençoamos o povo, com a ministração da palavra de Deus. Nos três países, tivemos 16 irmãos  como nossos intérpretes.

Louvamos a Deus pelo grande previlégio que Ele nos deu de sermos recebidos nestes países com todas as honras que se possa imaginar. Em alguns lugares que chegávamos, éramos esperados, não somente por  servos de Deus, mas também pela imprensa, para as primeiras entrevistas. Outras vezes, estávamos na casa dos nossos hospedeiros e ali chegavam os jornalistas para entrevistar-nos. Em cada Igreja que chegávamos, víamos na frente da Igreja o quadro de avisos com os nossos nomes, indicando que seríamos os pregadores daquela noite.

2- COISAS QUE NOS IMPRESSIONARAM

            a) - A visão e a paixão missionárias dos escandinavos são impressionantes. Eles vivem em função de missões. Os crentes ali conhecem melhor a história das Assembléias de Deus no Brasil, do que os próprios brasileiros. Sabem de memória os nomes dos primeiros obreiros brasileiros; têm, em quase todas as casas, fotos das primeiras reuniões convencionais; foto do primeiro barco construído no Amazonas, enfim, eles fazem questão de passar aos filhos a história da obra missionária no Brasil.
           
            b) - Igrejas tão pequenas, porém, com um bom número de missionários. Visitamos uma pequena Igreja, que tinha 30 membros, porém, três casais em diferentes países. Como é possível estes irmãos fazerem tanto pela obra missionária? Veja como fazem: durante a semana, as irmãs, senhoras e jovens, fazem trabalhos artesanais, costurando, tecendo, fazem crochê, tricot, etc. No domingo, depois do culto, os irmãos se dirigem ao salão social, para verem as exposições de trabalhos e comprarem aqueles produtos cujo resultado é destinado à missão. As irmãs anciãs, se reúnem em diferentes casas (fomos convidados para participar de algumas) onde levam bolo, torta, chá, café, etc, leem as cartas dos missionários, oram, choram e agradecem a Deus. Logo depois, tomam o chá acompanhado de um pedaço de torta e colocam a sua generosa oferta numa caixinha ou cestinha sobre a mesa, destinada às missões.
           
            c) - As crianças saem aos bosques para colher umas frutinhas especiais para fazer a marmelada. Vendem os litros nos supermercados e o resultado é para as missões.

d) - Fomos convidados a visitar uma metalúrgica de um irmão. Ao chegarmos lá, observamos que os empregados trabalhavam com muita alegria, alguns deles falavam em línguas estranhas enquanto trabalhavam, não entendíamos o que estava acontecendo, foi quando o proprietário nos informou que naquele dia, eles estavam trabalhando em favor de um país africano: Como? Não entendi! -Explico. Todo o produto desta metalúrgica, neste dia, é destinado à evangelização de um determinado país africano. Isto acontecia uma vez por mês. Que visão! Deus seja Louvado.

3- DEUS TEVE MISERICORDIA, APESAR
DOS NOSSOS MURMÚRIOS…

Claro, todas as ofertas das Igrejas escandinavas, seriam administradas pela missão que nos convidou (não passava pelas nossas mãos). Mas, de vez em quando, recebíamos também uma ajuda particular. Eles nos disseram: O que se recolhe na hora do culto pertence à obra missionária, porém o que receberem fora, será de vocês.

-Em todas as Igrejas, na Suécia e na Noruega, os irmãos, especialmente as anciãs, metiam nas minhas mãos ou no bolso do paletó alguma ajuda. Outras vezes na mão de minha esposa, quando verificávamos em casa, nunca era menos de 50 dólares. Quando fomos à Finlândia, a coisa mudou, especialmente na última semana que passamos em Mikkely. Era uma semana inteira de reuniões. Durante o dia, exposição missionária. Havia standers de vários países, inclusive da Bolívia. Minha esposa e eu, vestidos com as roupas típicas, cantávamos no stander de exposição às centenas de estudantes de diferentes níveis, que vinham cheios de curiosidades conhecer algo sobre as outras culturas.

Em uma noite, estávamos muito cansados e continuava a Conferência, na qual eu fora escalado para pregar na abertura. Os missionários presentes abriram mão da sua participação na pregação e decidiram que eu devia pregar nas demais noites. Ao nos informarem da decisão, como não sou perfeito, comecei a murmurar:

-Estamos nos matando aqui durante todo o dia fantasiados de bolivianos e ainda querem que preguemos todas as noites para este povo de mão “fechada”, que não dá nem adeus para não abri-la.

     Finalmente chegou o sábado, no penúltimo dia, preguei. e Deus teve misericórdia e abençoou maravilhosamente, tinha até esquecido do que havia dito. Ao término do culto, quando nos despedíamos dos irmãos, nos aguardava uma senhora anciã, que chamou o nosso intérprete e conversou em particular com ele. Em seguida, o intérprete se aproximou a mim e me perguntou qual seria a minha maior necessidade no momento. Eu lhe disse que necessitava de um carro para fazer melhor a obra de Deus, na Bolívia. Aleluia! Aquela senhora me entregou um envelope com dinheiro suficiente para comprar uma camionete nova ao chegar na Bolívia.

Veja como Deus fez. Aquela senhora estava economizando dinheiro para comprar um carro novo e mudar as mobílias da casa. Ela não tinha assistido a nenhum culto, pois estava doente. Mas sua filha, uma jovem, não havia perdido nenhuma das reuniões e cada noite ao regressar do culto dizia à sua mãe:

-Mãe, eu sinto que devemos dar esse dinheiro que a senhora está economizando ao missionário da Bolívia, tenho certeza que ele está precisando.

Aquela senhora não concordava com o que a sua filha dizia. Aquele dinheiro era fruto de grandes economias. Ela era viúva e o seu carro atual precisava ser trocado, além do mais, ela não sentia nada. Porém, cada noite a jovem fazia o mesmo apelo. Eu nunca falei de qualquer necessidade nossa no púlpito,  mas Deus estava trabalhando. No sábado à noite, a mãe foi tocada por Deus e pela manhã foi pessoalmente entregar aquele dinheiro. Este é o Deus a quem servimos!


4- O GRANDE SUCESSO DE NOSSA VIAGEM
           
            Mais de mil crianças, naquele ano, ficaram sem estudar no Plano Três Mil (Bolívia) por falta de escolas. Não havia infraestruta, haviam grupos de crianças estudando embaixo de árvores e em locais muito precários. Preparamos duas salas onde recebíamos 60 crianças, minha esposa ensinava, dava a refeição e às 3.00h da tarde, as devolvia às mães. Funcionava como uma creche. Quando viajamos à Escandinávia, levamos um anti-projeto para a construção de uma escola para uns 800 alunos. O Comitê de defesa Civil ficou torcendo para que tudo desse certo. O prefeito de Santa Cruz de La Sierra, me deu uma carta me delegando e apresentando-me às autoridades daqueles países. Ao chegarmos na Suécia, conversei e apresentei o projeto ao presidente da MISION SUECA LIVRE EN BOLIVIA. Depois de ouvir-me e olhar aqueles papéis, disse-me: “Meu irmão, não se empolgue muito com isso, a Suécia passa por algumas dificuldades econômicas e é muito difícil que tu encontres apoio. Nós temos um projeto para La Paz e está com mais de três anos sem aprovação”.

Em uma conferência em Trános (uma cidade ao norte da Suécia), fiz uma exposição daquele projeto mostrando a sua necessidade, pois havia mais de mil crianças sem acesso a uma sala de aula. Pensei: Vou sensibilizar esta platéia, se Deus quiser. Depois da minha oportunidade, várias pessoas falaram e expuseram as suas necessidades, cada uma mais urgente do que a outra. Depois de todas as exposicões, perguntei ao meu intérprete:

-O que disseram do projeto na Bolívia?
-Bem…eles não falaram nada a respeito.

Fui para casa triste, estava decepcionado de tal forma que, se pudesse, voltaria imediatamente à Bolívia. A minha esposa e eu, dobramos os nossos joelhos para orar. Humilhados diante de Deus, derramamos o nosso coração na Sua presença. Depois de algum tempo, abrimos a Palavra, pedindo ao seu Autor, que nos desse uma resposta naquele instante. Ele nos deu a palavra que está em Gn. 18.14 “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?

Após dois dias, estávamos diante do presidente de PMU (Organização que administra projetos sociais no exterior com fundos do governo e das Igrejas). Fizemos a nossa exposição e o nosso pedido, logo depois, nos apresentaram as seguintes condições:

-Primeira: Precisávamos de uma Igreja na Suécia que sentisse em apoiar o projeto e ser o representante diante da organização.

-Segunda: Teríamos que esperar de dois a três anos, pois tínhamos sido aceitos para ficar na “fila”. Seríamos o 17º projeto a ser atendido.

A primeira condição foi resolvida dentro de três dias, a segunda…aceitamos o desafio de esperar todo aquele tempo. Porém, veja o que Deus fez. Passados 45 dias depois de voltar a Bolívia recebi um telefonema da Suécia, dizendo que o nosso projeto já tinha sido aprovado e dentro de alguns dias receberia a visita de um engenheiro representante de PMU para dar os últimos detalhes.


5- COMO DEUS FEZ PARA ACELERAR A APROVAÇÃO
DO PROJETO

        Após dois anos voltei à Suécia e descobri como Deus tinha atuado. Primeiro: Fez mudar as normas daquela organização. A partir daquele dia, para se iniciar um novo projeto era necessário que um dos conselheiros conhecesse pessoalmente o lugar.

            Segundo: Faleceu um dos doze conselheiros e o seu substituto havia estado há alguns meses atrás na Bolívia. Tinha conhecido o Plan Tres Mil e, pessoalmente, visto as necessidades do lugar onde estávamos. Quando o PMU se reuniu para liberar o próximo projeto, descobriram que os 16 não eram conhecidos por nenhum dos conselheiros. Porém, quando chegaram no último projeto apresentado, o novo conselheiro se manifestou dizendo que conhecia pessoalmente o lugar e que poderia testemunhar que lá havia uma grande e urgente necessidade. Foi assim que o nosso Deus fez.       

6- DEUS FAZ SEMPRE MUITO MAIS DO QUE  ESPERAMOS

            Com a vinda do representante de PMU, as coisas mudaram. Ele ficou impressionadíssimo com a necessidade do povo e nos incentivou a um projeto de largo prazo. A modesta idéia, se transformou em algo grande e majestoso. A construção da Escola e Colégio Evangélico “BUENAS NUEVAS”, com capacidade para 1200 alunos, escola profissionalizante, creche para 100 crianças, micro hospital em substituição à primeira clínica, ginásio coberto para 3000 pessoas, biblioteca, quadras esportivas e jardim. Todo esse projeto, incluindo mobílias, transporte etc custou dois milhões e oitocentos mil dólares. O governo de Santa Cruz nos deu uma área de 16.000 m², onde está implantado este lindo projeto, para a glória de Deus, pois prova que Ele é o Deus do impossível. Bendito seja o Seu nome!
7- QUANDO JA ESTAVA PARA TERMINAR…

A primeira etapa já estava  em pleno funcionamento. Mais de mil alunos estavam sendo beneficiados, a empresa construtora aceleradamente trabalhava na segunda etapa que seria a escola profissionalizante e o ginásio coberto. A nossa posição era muito privilegiada diante da comunidade e das autoridades de Santa Cruz. No dia da inauguração da primeira etapa, o governador de Santa Cruz fez os agradecimentos aos países escandinavos na pessoa do Cônsul ali presente. Quando o Cônsul  teve a oportunidade, disse:

-Antes de Sua Excelência agradecer aos nossos países de origem, primeiro agradeça a Deus e em segundo lugar a este homem, missionário Inezilo Cunha, pois foi no seu coração que nasceu a idéia deste projeto. Ele pessoalmente foi à Suécia e com grande luta, conseguiu o que hoje é o Complexo Buenas Nuevas.

Toda honra e glória sejam dadas ao nosso grande Deus!
Agora, com o reconhecimento e respeito das autoridades, uma boa casa, um carro novo, não nos faltava nada, tínhamos tudo o que precisávamos. Porém, quando pensávamos que agora iríamos administrar aquela posição, aquele status que, pela graça de Deus, tínhamos alcançado, o Senhor falou ao meu coração e simultaneamente ao da minha esposa que era hora de partir. A nossa missão na Bolívia, depois de 17 anos, era concluída.

Foi muito difícil para muitos entenderem isso e diziam:

-“Depois de tantas lutas, sofrimentos: Vocês conseguiram este patrimônio, este status e esta obra maravilhosa. Agora vão deixar tudo?” 

Sim! A obra não era nossa! Continuávamos como servos, Deus falara conosco e a única coisa que nos restava era obedecer, pois tudo aquilo foi fruto de obediência.



Canteiro de obras

As primeiras plataformas




Infelizmente, não temos outras fotos que se possa publicar sobre o Colegio Buenas Nuevas, na época usávamos as fotos em slids nos binóculos, talvez os mais jovens não lembrem ou não conheceram. Centenas de fotos da época foram danificadas e não pude recuperá-las. Se alguém quiser saber mais sobre o Colégio Buenas Nuevas en Santa Cruz, acesse Facebook e procure: COLÉGIO BUENAS NUEVAS na Ciudadela Andres Ibañez, Santa Cruz de La Sierra Bolívia, aí você encontrará centenas de fotos que mostram a atuação desse grande complexo educativo.



Em Santa Cruz de La Sierra participei e fiz parte da  equipe organizando uma grande Cruzada Evangelística de Luiz Palau. A Cruzada envolveu todas as Igrejas Evangélicas da cidade. Foi um grande impacto que resultou na salvação de 3 mil almas. Na foto estamos os três  coordenadores e Luiz Palau ao meu lado.  

Nesta foto eu estou dando posse a uma querida família de filhos nossos na fé, Pastor Rosendo, sua esposa e filhos  que assumiram a direção de uma congregação na cidade de Warnes ao norte de Santa Cruz.
Batismo dentro  no  templo no "Plan Três Mil"

No Plano Três Mil tive a alegria e o privilégio de batizar  nas águas os meus dois primeiros filhos, Kleber Gladston (Hoje Pastor em Montalvâvia MG.) e Kélly Rosângela.


3 comentários:

  1. presiosa resenha, hoje estamos no diretorio do boas novas, aqui no plna 3000, bem como, apoio na capelania do colegio. O aniversario acontece dia 25 de abril deste ano, paasarei a resenha historica ,pois a mesma a tempo haviam esquecido.
    Atte. pr. carlos brito.
    Pdte.ADB- ministerio filadelfia .

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  2. Estamos muito felizes em saber que a palavra do Senhor tem chegado a todos os povos. Ate muitas vezes com muitas lagrimas. Muito me alegro com o que o Senhor tem clolocado em nossas maos para fazer, tem sido feito. Parabens que Deus continue vos abenocando grandemente. Tambem temos a chama acessa em nossos coracoes voltados a missoes na Bolivia. O Senhor tem falado a nos levar a varios paises, estamos so esperando o Senhor nos dizer " VAI" E pronto estaremos. " Envia-me a mim" Ide. Abracos fiquem na paz do Senhor Jesus Cristo.

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  3. Soy Roxana Vargas Barba muy agradecida con Dios por haber enviado a sus siervos a Bolivia y por medio de ellos conocer su palabra hoy a mis 44 años de edad prosigo hacia la meta soy un fruto de tan grande trabajo junto con mis padres y hermanos quiero decir pastor querido la foto de la señora q esta siendo bautizada arriba con cabeza blanca era mi bisabuela por parte de mi papa quienes ya partieron y estan con el Señor, estoy muy agradecida de ser parte de esta historia y soy resultado de las lagrimas y trabajo de los misioneros Inezilo y Rosa Cunha.

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