quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

13º CAPÍTULO


SÁBADO, 11 DE DEZEMBRO DE 2010

A 2ª PARTE DO NOSSO MINISTÉRIO NA BOLÍVIA


1 - O SENHOR E FIEL NO CUMPRIMENTO  DE SUAS PROMESSAS!

Realmente, coisas que nunca havíamos visto antes, Deus fez para glória do seu Santo Nome.

Durante o trajeto de regresso, ao passarmos por Riberalta nos encontramos com a missionária norueguesa Berith e seu esposo Pedro Torres Deus os usou de maneira extraordinária para ajudar-nos economicamente.

A cidade é desenhada em anéis. Ao longo se ver o Rio Piraí.

O Senhor nos guiou logo depois à grande cidade de Santa Cruz de la Sierra. No centro da cidade haviam algumas Igrejas e nas periferias, não. A única coisa que havia era somente uma grande necessidade do Evangelho.

Praça principal de Santa Cruz de La Sierra
Começamos um trabalho em uma zona que contava com uns seis bairros muito pobres e em uma área considerada “negra”, ou seja, não era autorizada, por isso não havia luz elétrica, água potável, escolas do govervo etc. Porém havia milhares de almas necessitando de Deus. O primeiro culto que realizamos ali, ao ar livre, (foi no dia sete de setembro de 1982), Jesus salvou várias pessoas. Conseguimos, ainda que com muitas lutas, economizar um pouco da nossa modesta ajuda e comprar um terreno para fazer uma congregação. O inverno estava chegando (havia vento forte, chuva e umidade), as casas dos irmãos eram pequenas, modestas e a maioria feita com  cartões, latas, etc. Era impossível nos reunirmos nelas, só havia espaço para a família.

Depois de algum tempo, levantamos as paredes com muito esforço, trabalho de nossas próprias mãos, mas precisávamos ainda do teto. Depois de orarmos, tivemos a “brilhante” idéia de escrever à nossa Igreja, certamente eles nos dariam a cobertura para esta pequena congregação. Fizemos uma bonita carta, oramos sobre ela e mandamos ao nosso pastor. Talvez por falta de tempo ele não nos respondeu, mas autorizou o secretário de missões que o fizesse, dizendo que infelizmente não podia ajudar-nos, em vista dos compromissos com a construção do grande Templo Central. Foi muito difícil para mim e minha esposa a resposta desoladora desta carta.

Na semana seguinte, por uma necessidade urgente, tive de viajar à fronteira, Corumbá-Brasil. Era uma segunda feira à noite. Fui ao culto, havia pouca gente, porém ali estava a presença do Senhor. O estimado pastor, José Carlos Padilha, que foi um verdadeiro pai para todos os missionários que trabalharam na Bolívia naquela época, me convidou para ministrar um estudo Bíblico para a Igreja. Antes do estudo, contei um pouco do nosso trabalho e da construção do nosso templo e disse que estávamos esperando os recursos para comprar o telhado. No final do culto, o pastor disse para a Igreja: “Eu estou sentindo que devemos tirar uma segunda oferta nesta noite, desta feita para ajudar na compra do telhado da Igreja lá na Bolívia. Precisávamos de 95.000 cruzeiros, a oferta foi de 105.000. Louvado seja Deus!

2- DEUS USOU MAIS UM ALCOÓLATRA

Morávamos em uma modesta casa que tínhamos alugado na periferia da cidade, bem próximo ao Zoológico da cidade; devido às nossa limitações econômicas não podíamos alugar casa em um lugar mais ao centro.

Uma noite, quando retornávamos do culto, minha esposa  achou muito estranho, disse:

-“Temos visita”. Todos nós ficamos atentos, pois era algo muito difícil de acontecer. Eu não estava enxergando ninguém, então perguntei onde estava a visita que havia visto.
-“Ali está a mochila pendurada no portão! Vai ver está se escondendo para fazer-nos uma surpresa” respondeu a minha esposa.

Ao aproximar-nos, pois o local não era muito iluminado, pudemos ver que não era uma mochila, como pensávamos, mas um “bicho preguiça” que tinha fugido do Zoológico e estava pendurado com a sua cria agarrada na barriga.

Um certo dia, veio nos visitar um senhor que havíamos conhecido ainda em Camiri. Omar Aburder, um árabe rico, que trabalhava muito, mas também bebia demasiado o seu café da manhã era uma dose de bebida forte e cigarro. Nas horas de grandes crises familiares pela conseqüência do álcool, quando ele estava destruindo tudo dentro de sua casa, era eu quem os seus familiares chamavam, pois era a única pessoa que ele respeitava. Bem, este senhor veio visitar-nos justamente em um dia que havia chovido muito, por isso ao chegar no bairro onde morávamos, o seu caminhão atolou numa poça de lama e teve muito trabalho para tirá-lo de lá. Eu não estava em casa. Depois de tudo solucionado, disse à minha esposa: “Isto não é lugar para se morar, diga ao “Seu Ine” que procure uma casa bem localizada que esteja à venda e eu vou comprar para que vocês possam viver mais decentemente. Amigo meu não pode morar num lugar como este”.

Quando cheguei em casa, minha esposa me contou tudo, e eu disse que isso era conversa de bêbado. Passados alguns dias, voltou o Sr.Omar (outra vez eu não estava em casa).
                       
Perguntou para minha esposa se eu tinha encontrado a casa. Quando foi informado que ainda não tinha encontrado, saiu e no dia seguinte voltou com uma chave na mão dizendo que já a havia comprado. Saímos em seu carro para conhecer a casa. Levou-nos a um bairro residencial muito bem localizado e muito burguês, de repente parou dizendo: “Esta é a casa”. Ficamos assustados! Como poderíamos morar naquela casa tão bonita, no centro da cidade, se nós não possuíamos móveis adequados? Quando entramos na casa, vimos que estava totalmente mobiliada. Telefone, ar condicionado em todos os quartos (eram quatro), as principais dependências com tapetes, banheiros belos com banheira, garagem coberta para quatro carros, jardim, etc. Era uma mansão. Minha esposa tinha falado ao meu ouvido:

-Como vamos mobiliá-la? Aquele senhor. ouviu e respondeu: -Não se preocupem. Eu já a comprei toda mobiliada.

O secretário de missões da minha Igreja no Brasil foi visitar-nos em Santa Cruz e quando parei o carro em frente de casa, ele disse: “Eu não acredito que tu estás morando aqui; no Pará, eu não conheço nenhum pastor que viva em uma casa tão bonita como esta”.
           
            Moramos um pouco mais de dois anos naquela casa, saímos para a nossa própria casa, não tão linda como aquela, porém uma bonita e confortável propriedade que Deus nos deu.
3 - A GRANDE CATÁSTROFE EM SANTA CRUZ

            Pouco depois de termos saído daquela casa, próximo ao Zoo, em uma madrugada, no ano de 1983, uma grande catástrofe veio àquela região. Uma tromba  d’água que desceu das Cordilheiras dos Andes sobre o leito do rio Piraí, (rio que durante todo o verão mantinha um pouco de água corrente que não dava para chegar nos joelhos não obstante a sua grande largura). Esse acontecimento foi considerado um fenômeno. Resultado: todos os seis bairros pobres à margem daquele rio foram literalmente destruídos, inclusive a nossa ex-casa. De uma discoteca que funcionava à margem daquele rio, muitos carros e pessoas desapareceram. Também algumas máquinas (tratores e caçambas) do Serviço Nacional de Caminhos, foram enterradas totalmente; mais de 100 pessoas perderam a vida, se não era por afogamento, era porque ao tentar salvar-se, se agarravam aos grandes troncos de árvores que passavam flutuando, porém quando os outros troncos se chocavam, imprensavam as pessoas e as matavam. Os tratores da prefeitura, com suas pás mecânicas, carregavam os corpos que ainda flutuavam nas águas, tanto vivos como mortos.

O bairro onde estava a nossa congregação desapareceu totalmente.  Tivemos muita dificuldade para identificar, naquela enorme praia, o local exato onde estava edificada a nossa Igreja. Uma camada de mais de três metros de areia cobria toda aquela região. Depois de muitos dias se encontravam automóveis e motos soterradas. De vez em quando os urubus descobriam um corpo semi-enterrado. Foi um quadro desolador. Pessoas sem algum membro do corpo, pessoas traumatizadas ao ver a morte trágica dos seus familiares.
Porém Deus é misericordioso e para Sua glória, todos os crentes, novos convertidos, que moravam nesses bairros, um pouco mais de cem pessoas Jesus guardou com vida! A primeira pessoa que tinha aceitado a Jesus naquele lugar, irmã Rosa Vargas, dava o seu testemunho dizendo: “Jesus guardou até o meu cachorro e as minhas galinhas”. Aleluia!


ESTAS FOTOS É PARA QUE VOCÊS TENHAM UMA IDÉIA DAS PROPORÇÕES DESTE GRANDE DESASTRE DA NATUREZA!


CARROS ENTERRADOS


AQUI FUNCIONAVA UM BAR E RESTAURANTE, ESTAVA EM PLENA ATIVIDADE NOTURNA, AS PESSOAS SAIRAM, PORÉM MUITOS CARROS NÃO PUDERAM SER RETIRADOS E FORAM ENGOLIDOS PELA LAMA

MINHA ESPOSA EU E O PASTOR MEDINA, (UM GRANDE AMIGO BOLIVIANO) OLHÁVAMOS O QUE SE PODIA VER DE UM CARRO!


GALPÃO  QUASE QUE TOTALMENTE IMERSO PELA ARREIA E BARRO

MINHA ESPOSA EU E O PASTOR MEDINA OLHÁVAMOS E APONTÁVAMOS PARA O LUGAR ONDE HAVIA O NOSSO TEMPLO EM FAZE DE ACABAMENTO. DESAPARECEU COMPLETAMENTE!

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