quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

5º CAPÍTULO


SÁBADO, 20 DE NOVEMBRO DE 2010


 FATOS MARCANTES

     1-   O dia em que a minha esposa quase morreu de sede!
A água que tomávamos em São Raimundo Nonato, vinha do rio São Francisco-BA em um único caminhão tanque, de pequeno porte, que possuía a Prefeitura naquela época. Em toda aquela região não haviaágua potável. O pouco que brotava deste precioso líquido, era insuportavelmente salgado.
Bem, em um certo dia, a nossa provisão de água terminou no jantar. Era um dia de culto, o calor quase que insuportável.  Dirigi o culto, cantamos bastante juntamente com minha esposa, depois ela foi a mensageira da Palavra naquela noite. Deus a usou de forma maravilhosa, depois orou por vários irmãos. Finalizando a reunião, os irmãos ficaram conversando conosco e nos pediam que ensinássemos alguns hinos.
Quando eles se retiraram, a hora já era bastante adiantada. A sede começou a apertar e como não podíamos dormir, fomos à casa de alguns irmãos que moravam mais perto, porém ninguém tinha água. Por volta das duas horas da manhã, minha esposa, a mais afetada, pois tinha feito maior esforço naquela noite, chorava, sentindo que ia morrer de sede. A sua garganta estava totalmente ressecada e a respiração ofegante. Pedi a um irmão que fosse urgentemente à casa do Comandante da Polícia para pedir-lhe um pouco de água, pois sabíamos que ele tinha uma cisterna de cimento onde conservava água da chuva, no caso, de três anos, pois era exatamente o tempo que não chovia naquela região. Aquele cidadão, gentilmente, levantou-se para nos socorrer com uns três litros de água que tivemos que coar para tirar os bichinhos (sapinhos) antes de beber. Era necessário primeiro ferver, mas não havia tempo para a Rosinha, ela não aguentava mais. Quando bebeu os primeiros dois copos d’água, passou direto por sua garganta e ela nem mesmo sentiu. Depois do terceiro, começou asentir e saborear. Deus teve, mais uma vez, misericórdia de nós e nos deu também uma lição: somos dependentes, não só da água natural, mas da Agua da Vida JESUS.
     2- Tive que lamber água dos rastros dos bois!
Saí de casa no meu velho Jeep da Willys, na companhia de um irmão para fazermos uma viagem de 180 km aproximadamente. Na estrada carroçal muito precária, se tudo fosse bem, necessitaríamos de umas seis horas para fazer este percurso. Depois de 40 km rodados, um problema no carro derramou todo o óleo e não podíamos mais continuar. Eram aproximadamente 11 horas da manhã. Dificilmente passava carro naquela estrada. As 2 horas da tarde ouvimos o ruído de um outro Jeep. Eram uns caçadores que vinham de longe, pararam e se ofereceram para levar o meu companheiro para comprar o óleo e assim encontrar a maneira de retornar.
Como estávamos sem comida, aqueles senhores, gentilmente, me deram um pedaço de tatu assado, porém branco de sal. Logo depois se foram e com a fome que eu estava, comi todo aquele pedaço de tatu sem levar em conta que não havia nenhuma gota d’água. De repente, a sede se tornou tão grande que comecei a entrar em desespero. Ali não havia nenhuma sombra, não havia uma folha verde, tudo estava seco. Eu não sabia se orava ou chorava, a única coisa que me passava pela mente era que no trajeto de Floriano a Gilbues havíamos passado por muitos lugares desertos em que haviam cruzes à márgem da estrada onde várias pessoas tinham morrido de sede. Pensei então: “Será que aqui haverá mais uma cruz…?”
 Deus não me deixou ir mais longe com os meus pensamentos e entrou logo em ação. Apareceu uma nuvem escura e começou a chover fortemente, parando logo depois. Era como uma “cortina” de chuva que envolveu uma área de aproximadamente uns duzentos metros nas laterais e graças a Deus eu estava dentro. Foi de repente que apareceu e rapidamente passou. Aparei com as mãos o tanto que era possível  aparar para beber. O sol se abriu novamente e agora parecia mais forte, novamente a sede causticava. Olhei para uma pequena área à margem da estrada por onde o gado passava; observei que havia rastros de bois e que estavam cheios de água. Não resisti e caí com tudo naquela pequena poça, lambendo aquela água que tinha cor, gosto de poeira e de barro, para amenizar a grande sede que estava sentindo.
3 – Cinco litros de água para o banho de dois pastores.
Depois de algumas horas de viagem em uma estrada coberta de “puaca”, aquele pó que muitas vezes faz enterrar o carro até o parachoque, e onde o “talco” cobre todo o carro como se fosse uma nuvem, o Ev. Raimundo Nonato (hoje pastor) e eu, chegamos à cidade na qual iríamos dirigir um culto pela primeira vez. Fomos à única e modesta pensão e a proprietária se assustou de ver-nos tão empoeirados. Não se conhecia a cor do nosso cabelo, até as roupas, dentro das nossas malas, estavam empoeiradas.  A senhora nos conseguiu um quarto, porém disse que, infelizmente, não havia água para o banho. Depois de muita luta, ela tirou do pote de água para beber, uns quatro a cinco litros em uma lata de leite ninho e nos deu. Juntos, fomos ao banheiro com aquela pequena quantidade de água, que para nós era ouro, com pressa porque já estava quase na hora de começar o culto, e tomamos, creio, o melhor banho de nossas vidas.
3 - O GRANDE PRESENTE
            Minha esposa e eu não podíamos ter filhos. Os melhores médicos de Belém tinham diagnosticado que ela tinha útero infantil e consequentemente não poderia conceber. Já eram passados sete anos e isso para mim era um grande opróbrio, pois o grande sonho da minha vida era casar e ter filhos formando uma linda família, para juntos sevirmos ao Senhor. Tínhamos escolhido os nomes dos nossos filhos desde quando ainda éramos noivos esperando ansiosamente que após alguns anos eles pudessem chegar. Mas para a nossa desilusão, isso não seria possível, segundo o critério médico.
                    Certo dia, Deus falou à minha esposa, através de uma irmã, dizendo: “Eu conheço o coração do teu companheiro, eis que tirarei o opróbrio e vos darei frutos!”. Com as minhas limitações humanas, duvidava do cumprimento daquela profecia e por isso desejei adotar uma criança, mas não tive a aprovação da Rosinha. Ela tinha absoluta certeza que Deus cumpriria a sua promessa e, no momento certo, teríamos os “frutos” tão anelados. Foi na cidade que estava fechada, São Raimundo Nonato, que Deus abriu, não somente as “portas” para o Evangelho, mas também a “ madre” da minha esposa para assim poder conceber o nosso primeiro filho. Com nove meses, em um parto normal (em Belém do Pará) ganhamos um grande presente, fruto do nosso amor, o Kleber Gladston, nosso “Klebinho”.
Em São Raimundo Nonato, não foi mais necessário usar cavalos e jumentos para o nosso transporte, Deus nos deu um JEEP  da Willys carroceria longa, que foi de grande ajuda para a  evangelização daquela região.

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